Expressão Coletiva

O Crescimento da Área Cultural do Ipê Clube nos Festivais Interclubes

A produção cultural do Ipê Clube vive um período de sólida expansão, impulsionada por uma participação cada vez mais ativa em festivais e eventos externos promovidos por entidades parceiras, como o Sindiclube e a ACESC (Associação de Clubes Esportivos e Culturais de São Paulo). Entre as iniciativas integradas pelo clube, destacam-se o Circuito de Corais, os Clubes de Leitura, as Capacitações de Contadores de Histórias, o Festival de Música Fest Clube SP e o aclamado Festival de Cenas Curtas de Teatro. Além disso, o Ipê possui histórico nos palcos do The Voice ACESC (Júnior e Adulto) e consolida o retorno ao Festival ACESC de Teatro com a montagem do clássico Romeu e Julieta.  

Essa inserção nos encontros interclubes é fundamental para o desenvolvimento artístico das modalidades. A arte se fortalece por meio do diálogo com o público e do intercâmbio de vivências entre os associados de diferentes agremiações, estimulando o aprimoramento técnico dos grupos e atraindo um contingente cada vez maior de sócios interessados nos cursos da instituição.  

A preparação dos representantes é fruto de ensaios estruturados comandados por profissionais especializados, como diretores de teatro e regentes, que definem as montagens e os repertórios nas aulas realizadas ao longo do ano. Essa dedicação tem gerado conquistas expressivas, incluindo premiações marcantes. Recentemente, a participação no Festival de Cenas Curtas do Sindiclubes culminou com o prêmio de Melhor Ator concedido ao associado Carlos Alberto Correa (Cachito), pela atuação na peça Arte, sob a direção de André Blumenchein e parceria de cena com o associado Sérgio Figueiredo e o diretor André. Para os artistas, representar o clube fora de seus domínios traz o prazeroso desafio de defender o nome do Ipê diante de plateias desconhecidas.  

Paralelamente, o canto coral exemplifica a força da união coletiva ipeana. Sob a regência de Ricardo Barison e assistência de Luis Anselmi, o Coral Ipê destaca-se pela leveza de suas apresentações e por um repertório focado na MPB cantada em língua materna, o que rendeu convites para eventos externos de relevância, como o Encontro de Corais no Teatro FECAP. Os ensaios e festivais funcionam de forma semelhante à dinâmica de uma equipe esportiva: há o apoio mútuo e o frio na barriga antes de subir ao palco, mas com o foco total na diversão e no espírito de grupo, sem a pressão da competitividade. O Departamento Cultural reforça o convite para que mais sócios participem das atividades, destacando que esse comprometimento é uma oportunidade leve e prazerosa de lazer e de fortalecimento do sentimento de pertencimento ao clube.  

A voz de quem vive essa experiência 

Participar das atividades culturais do Ipê também significa criar novas conexões, enfrentar desafios e descobrir diferentes formas de vivenciar o Clube. 

Para Carlos Alberto Correa, o Cachito, premiado como Melhor Ator no Festival de Cenas Curtas do Sindiclubes, representar o Ipê diante de outros grupos e de um público desconhecido tornou a experiência ainda mais especial. “A obrigação é sempre representar bem o nome do Ipê Clube. Estávamos preparados para dar o nosso melhor, e a reação do público nos deixou muito felizes e satisfeitos com a apresentação.” 

Já para Luciane Fischmann, integrante do Coral Ipê desde 2022, a atividade reúne música, leveza e espírito coletivo. “O coral traz energia. É um momento da semana para cantar coisas de que a gente gosta, com leveza e diversão.” Nos encontros externos, ela destaca ainda a união entre os integrantes e a oportunidade de aprender com outros grupos. “Não é sobre ter a melhor voz individualmente. É sobre todos cantarem juntos da melhor forma possível.” 

Na revista, compartilhamos parte dessas histórias. Aqui, você pode conhecer os depoimentos completos de Carlos Alberto Correa, integrante do Grupo de Teatro Ipê, e Luciane Fischmann, integrante do Coral do Ipê Clube.


Carlos Alberto Correa

Grupo de Teatro Ipê
Do palco do Ipê ao reconhecimento no Festival de Cenas Curtas do Sindiclubes

Carlos Alberto Correa participou da peça Arte, apresentada pelo Grupo de Teatro Ipê, e foi premiado como Melhor Ator. Em seu depoimento, ele fala sobre a experiência de representar o Clube, o contato com outros grupos e a importância da dedicação às atividades culturais.


Recentemente você participou do Festival de Cenas Curtas do Sindiclubes com a peça Arte e foi premiado como Melhor Ator. Como foi viver essa experiência?

Foi uma experiência única e um desafio muito prazeroso, encarado com muito profissionalismo por mim, Sérgio Figueiredo e nosso diretor, André Blumen.

Você já participou de outros eventos externos promovidos pelo Sindiclubes ou a ACESC?. O que essas trocas com outros clubes acrescentam para você como artista?

Eu nunca havia participado desse tipo de evento, e foi muito importante poder interagir com outros grupos de teatro. É uma atmosfera diferente, com as mais variadas performances, inclusive com a presença de profissionais da área.

Quando a apresentação acontece fora do Ipê, diante de outros públicos e grupos, o que muda na sua forma de vivenciar o teatro?

Existe a responsabilidade de sempre representar bem o nome do Ipê Clube. Afinal, é uma competição, e você está ali para dar o melhor de si e defender o seu Clube.

Estávamos preparados para competir e, a julgar pela reação do público presente, um público totalmente desconhecido para nós, nossa apresentação nos deixou muito felizes e satisfeitos.

Para quem ainda está em dúvida, o que você diria para incentivar outros associados a participarem das atividades culturais do Ipê?

Na realidade, tanto no teatro quanto em qualquer outra atividade cultural, é necessário que os associados tenham disponibilidade para se dedicar. Digo isso porque, para dar vida a um personagem, é preciso ter disposição para criar, compreender e vivenciar essa fantasia, sempre sob a direção e a supervisão de um bom diretor.


Luciane Fischmann

Coral do Ipê Clube
Muito mais do que cantar: a força de fazer parte de um grupo

Apaixonada por música desde criança, Luciane encontrou no Coral do Ipê um espaço de leveza, convivência e diversão. Em seu relato, ela conta como o grupo se tornou uma experiência coletiva que vai muito além das apresentações.

Há quanto tempo você faz parte do Coral do Ipê e o que te motivou a participar?

Eu sempre gostei muito de música. É algo que me energiza, e também sempre gostei de coral. Quando era criança, cheguei a participar de um grupo de coral em uma escola de música, mas isso acabou ficando adormecido na minha vida.

Quando entrei no Clube e descobri que havia um coral, tudo acabou se encaixando. Na verdade, eu já estava procurando um coral, inclusive pesquisando no Google, e, paralelamente, nós estávamos pensando em nos associar ao Clube. Foi uma espécie de alinhamento dos astros: eu estava procurando um coral e descobri que o Ipê tinha um.

Mas a melhor parte foi a surpresa de descobrir como era o Coral do Ipê. Fui uma ou duas vezes, conversei com o Ricardo e procurei entender como funcionava o grupo e conhecer melhor o próprio regente. Não foi exatamente um teste, mas uma forma de sentir como era aquele ambiente.

Quando você canta em um coral, não se trata apenas de cantar ou das pessoas que fazem parte do grupo. O repertório e o regente também fazem muita diferença. Existem regentes mais rígidos, assim como repertórios com os quais você pode não se identificar. No meu caso, realmente foi um alinhamento dos astros, porque o Ricardo é incrível.

Isso fica evidente pela quantidade de pessoas que ele consegue atrair, inclusive pessoas de fora do Clube, para participar do coral. A energia do grupo também é maravilhosa, as pessoas são muito bacanas e eu gosto muito do repertório, que tem uma MPB leve e agradável.

O coral me traz energia. É aquele momento do dia, da semana, em que vou para cantar de uma forma leve. É quase como cantar no chuveiro, só que com mais gente. Não no sentido de cantar mal no chuveiro, mas daquela sensação descontraída de cantar músicas de que você gosta.

Foi justamente essa leveza que me motivou a participar. Eu não procurava um coral profissional ou semiprofissional, no qual tivesse muitas obrigações de estudo ou a necessidade de buscar uma colocação de voz perfeita. É claro que buscamos evoluir, melhorar nossa voz e crescer como coro, mas acredito que nosso principal objetivo seja nos divertir. E acho que isso é o que motiva não apenas a mim, mas grande parte das pessoas que estão lá.

O Coral do Clube também participa de apresentações e encontros fora do Ipê. Como é viver essas experiências e representar o Clube em outros espaços?

Toda vez que participamos de festivais ou encontros de corais é muito legal, porque acabamos nos unindo ainda mais como grupo. Existe toda uma preparação para cantarmos bem e fazermos uma boa apresentação.

Acho que existe uma sensação um pouco parecida com a dos esportes coletivos. Assim como um time de futebol ou de basquete se prepara para um jogo, nós também nos preparamos para uma apresentação. Quando chega a hora, bate aquele nervosismo, aquele frio na barriga, e todo mundo procura dar força uns aos outros.

A diferença é que não existe o lado competitivo, porque os encontros de corais não são competições. Então, temos o espírito de equipe, a união do grupo e aquele nervosismo antes da apresentação, mas sem a pressão de competir. Isso torna tudo mais leve e divertido.

Também é muito interessante assistir a outros corais e poder observar diferentes trabalhos. Começamos a perceber aquilo de que gostamos, o que não combina tanto conosco, o que fazemos bem e o que ainda podemos melhorar.

Quando estamos em contato com outros grupos, criamos uma referência. Não se trata de uma competição, mas de uma comparação saudável, que nos ajuda a buscar uma evolução constante e a descobrir cada vez mais a nossa identidade como coro.

Junto com o Ricardo, que é o regente, também vamos entendendo aquilo que faz sentido para o nosso grupo. Um exemplo são os corais que cantam músicas em outros idiomas, como o inglês. Nós já decidimos que preferimos não cantar em inglês, porque acreditamos que existe muita música boa em português.

O português é a nossa língua materna e, por isso, é a língua em que cantamos com mais naturalidade. Não vemos necessidade de fazer um esforço para cantar em outro idioma e correr o risco de a música não ficar tão boa. Ao assistir a outros grupos, também aprendemos sobre aquilo que funciona para nós e sobre o que queremos construir como coro.

O que essas trocas com outros corais e públicos diferentes acrescentam para você, tanto no canto quanto na vida pessoal?

Em relação ao canto, essas experiências nos permitem observar a maneira como outros corais trabalham. Às vezes, é até mais fácil perceber no outro determinadas questões que também podemos estar fazendo e que gostaríamos de melhorar.

Uma das coisas que observamos é a unicidade. Afinal, qual é a grande busca de um coral? Ter muitas vozes cantando juntas, mas fazendo com que elas soem quase como uma única voz. Esse é o grande desafio de um bom coral.

Não se trata apenas de cada pessoa chegar lá e cantar individualmente da melhor maneira possível. Trata-se de todos cantarmos juntos da melhor forma para que o conjunto soe bem.

Por isso, comparo muito o coral a um esporte coletivo. Não adianta ter dez Neymares na seleção jogando individualmente. O que importa em um esporte coletivo, seja futebol, basquete ou qualquer outro, não é ter grandes astros individuais, mas fazer com que o time consiga jogar bem em conjunto.

O melhor time não é necessariamente aquele que possui os maiores craques, mas aquele que consegue jogar melhor junto. E o coral é muito sobre isso: cantar junto. Não é preciso ter individualmente a melhor voz do mundo.

Existem pessoas que, quando ouvimos individualmente, talvez não sejam aquelas que mais se destacam cantando. Mas, quando estamos juntos, conseguimos nos unir, nos alinhar e chegar a um resultado muito bonito.

E é justamente isso que essa experiência traz para a minha vida: a percepção de que não precisamos brilhar sozinhos o tempo todo. Vivemos em um mundo bastante individualista, e o coral representa justamente o contrário disso. Não existe um único astro que precisa brilhar. O objetivo é fazer com que o grupo, em conjunto, consiga produzir algo especial.

Acho que isso me traz muito equilíbrio. Vivemos em uma cidade como São Paulo, que está sempre nos cobrando desempenho e fazendo com que sintamos que precisamos performar o tempo todo.

O coral acaba sendo um alento nesse sentido. Sim, queremos fazer uma boa apresentação, mas queremos fazer isso como grupo. O resultado não depende exclusivamente do desempenho individual de uma pessoa.

Todo mundo tem um dia em que não está tão bem e outro em que está muito bem, e o coro acaba sustentando todos. Para mim, é muito sobre essa união do grupo.

Também é sobre encontrar diversão e leveza no momento de cantar e entender que um bom resultado vem, é claro, do esforço individual de cada pessoa, mas principalmente da combinação desses esforços no conjunto.

Não é sobre eu cantar mais alto ou querer aparecer mais. É sobre cantar em conjunto. Às vezes, uma voz sustenta a outra. No fim, é muito sobre o grupo.

O que você diria para outros associados que têm vontade de participar do Coral ou de outras atividades culturais do Ipê?

Na verdade, minha fala é também para aqueles associados que talvez nunca tenham cogitado participar do coral ou de outras atividades culturais. Acho que muitas pessoas nem chegam a pensar nessa possibilidade.

Muita gente relaciona o Clube principalmente aos esportes e aos grandes eventos sociais, como os shows e a Festa Junina. Mas o coral tem uma leveza muito especial, que é até difícil de colocar em palavras.

Existe um compromisso muito forte entre quem participa, justamente porque somos um grupo. Se eu começar a faltar ou deixar de praticar as músicas antes de uma apresentação ou de um ensaio, isso pode acabar afetando o grupo. Existe essa consciência de que estamos juntos e nos desenvolvendo coletivamente.

Ao mesmo tempo, não é um compromisso que represente um peso. É um comprometimento muito prazeroso. Você faz parte de um grupo, assume uma responsabilidade com as outras pessoas e, ao mesmo tempo, está ali para se divertir.

Acho que muita gente pensa: “Eu preciso cantar muito bem para participar de um coral” ou “Isso não é para mim, porque eu não sei cantar, só canto no chuveiro”. E acredito que o Coral do Ipê traz justamente essa leveza e essa diversão. É quase como cantar no chuveiro, mas com o compromisso de fazer parte de um grupo e de não deixar os outros na mão.

Ele reúne esse sentimento de coletividade, quase como um time, mas sem aquele peso. Eu não preciso estar em forma, por exemplo. Preciso aprender e praticar as músicas, participar dos ensaios e ir até lá para cantar e me divertir.

Acredito que isso também vale para as demais atividades culturais. É muito gostoso estar no Clube para praticar esportes e participar dos grandes eventos, mas também é muito especial conhecer esse outro lado do Ipê e fazer parte dele.

Existe uma leveza e uma diversão muito grandes em estar ali para cantar. Como dizem, “quem canta seus males espanta”. E isso não poderia ser mais verdadeiro.

Compartilhe